A divisa do futebol-força pode ser identificada na crítica de Ferruccio Valcarregio, então treinador da Fiorentina, às atuações de Sócrates no campeonato italiano: “Precisamos de um jogador que corra e não que pense”.
Ao contrário, porém, dessa concepção que pretende desvincular o ato de jogar do ato de pensar e reduzir o trabalhador da bola à condição de mero comandado dos especialistas que o cercam e dirigem, o projeto da Democracia Corinthiana empreende a luta para reconciliar corpo e alma, religar o atleta ao cidadão, reunir a dimensão estética do futebol-arte à dimensão ética do futebol como prática de liberdade.
Sobre o Autor
José Paulo Florenzano, graduado, mestrado e doutorado em Ciências Sociais pela PUC-SP, e que possui larga experiência na área de Antropologia do Esporte. Autor do livro “Afonsinho e Edmundo – a rebeldia no futebol brasileiro”, Florenzano focaliza a produção do jogador-disciplinar exigido pela modernização do futebol nacional a partir dos anos 1960.