O futebol carioca contemporâneo parece estar fadado ao destino do samba, cunhado pelo compositor Nelson Sargento: "Agoniza, mas não morre". Times com problemas financeiros, dirigentes suspeitos, jogadores circunstanciais sem amor à camisa.
Nem sempre foi assim. O futebol, paixão do povo, já foi um fator de influência na história do país. Os clubes cariocas, por exemplo, interferiram decisivamente nos destinos da cidade. Cada qual com o seu caráter, com o seu jeito de ser.
Há cem anos cada cidadão carioca é colocado diante da escolha de um time. Optar significa abraçar o caráter de cada clube. O que causa rivalidades eternas entre amigos, gozações irresistíveis entre colegas ou mesmo a aproximação de pais e filhos mais distantes.
Cláudia Mattos mostra as origens dessa paixão, baseada nos seus quatro pilares:o Fluminense Football Club, Clube de Regatas do Flamengo, C. R. Vasco da Gama e Botafogo de Futebol e Regatas.
Criado para ser uma tese acadêmica, Cem anos de Paixão teve a sorte de ser escrito por uma jornalista que decantou o ranço acadêmico, e nos propiciou um livro delicioso. A autora retoma do começo: desde o momento que o futebol chegou ao Rio pelas mãos do descendente de ingleses Oscar Cox, passando pelos momentos mais mágicos: da era Garrincha, da era Zico, até os lances mais recentes consideradas por Nelson Rodrigues de "complexidade shakespeariana" que tem no Fla-Flu seu momento mais elevado.
Os mitos e suas celebrações futebolísticas, que foram ao longo do século compondo o caráter nacional brasileiro, são devidamente analisadas - ou seria melhor dizer, decodificadas. Uma jogada em alto estilo.Cem anos de paixão é um livro que vai mexer com o seu coração. Não importa que cores ele tenha.
Sobre a Autora
Claudia Matos nasceu em 1968, no Rio de Janeiro. Flamenguista, ela curte futebol desde criança. No começo era o rádio, depois levada ao Maracanã pelo seu pai. Até que começou a ir aos jogos com os amigos e, como não poderia deixar de ser, pela profissão.
Claudia é jornalista desde 1988. Ela trabalhou durante seis anos na editoria de esportes do jornal O Globo, passando pela sucursal carioca da Folha de S. Paulo e hoje é repórter da sucursal do Estado de S. Paulo.
Entre 1994 e 1996 uniu suas paixões sob a forma de uma pouco ortodoxa dissertação de mestrado, defendida na UFRJ, que deu origem a este livro.